Água

Menos da metade da população brasileira tem acesso a saneamento

Apenas 39% das residências têm seus rejeitos tratados adequadamente. Falta de tratamento afeta saúde da população e polui fontes de recursos hídricos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Obras do Sistema de Esgotamento Sanitário de Maranguape (PE). Crédito: Creative commons/PEC

 

Comentário Akatu: melhorar o saneamento básico no Brasil é essencial do ponto de vista de qualidade de vida e da saúde – visto que apenas 48,6% da população no País é atendida por serviços de esgoto, de acordo com o alerta do Banco Mundial dado na reportagem abaixo, e que o saneamento é essencial para a qualidade da água e, portanto, da saúde da população. Esses temas estão entre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pelas Nações Unidas para reduzir a pobreza, promover a prosperidade global e o avanço social, e proteger o meio ambiente: o de número 3 (Saúde e Bem-Estar) e o 6 (Água Potável e Saneamento). De forma menos direta, faz parte também do tema do Consumo e da Produção Sustentáveis, o de número 12, visto que o uso consciente da água é parte do cuidado necessário com este recurso precioso em todo o seu ciclo de vida, envolvendo o combate ao desperdício e a utilização da água de reuso, de modo a gerar maior eficiência no seu consumo. Ou seja, ser mais eficiente no uso e no reúso da água andam em paralelo com a ampliação dos serviços de coleta e tratamento de esgoto para gerar sustentabilidade na oferta de água. Para o consumidor, isso significa, adicionalmente, compreender a importância e valorizar as iniciativas de empresas e governos que caminhem nessa direção de forma a induzir e  mobilizar tais ações em outras empresas e governos.

 

O Brasil abriga um quinto das reservas hídricas do mundo, mas a abundância não significa acesso universal a água própria para o consumo, nem a saneamento. Menos da metade — cerca de 48,6% — da população brasileira é atendida por serviços de esgoto e apenas 39% das residências têm seus rejeitos tratados.

Os números são do Banco Mundial, que alertou no dia 3 de agosto para as desigualdades na distribuição de água entre a população, a indústria e a agricultura no Brasil, além de detalhar a importância dos recursos hídricos para a economia brasileira.

Embora 82,5% dos brasileiros tenham acesso a água, apenas 43% dos domicílios entre os 40% mais pobres do país têm vasos sanitários ligados à rede de esgoto, segundo dados de 2013. A falta de tratamento faz com que poluentes sejam jogados diretamente na água ou processados em tanques sépticos desregulados, com graves consequências para a qualidade dos recursos hídricos, bem como para o bem-estar da população.

O Banco Mundial chama atenção ainda para o desperdício registrado nas empresas de abastecimento — perdas chegam a 37%. De acordo com a agência da ONU, o financiamento e subsídios do setor são baseados em uma estrutura tarifária ultrapassada que, somada ao excesso de pessoas e elevados custos operacionais, encarecem a oferta para os consumidores. Os gastos com a produção inviabilizam novos investimentos, capazes de tornar a infraestrutura mais resistente a eventos climáticos extremos como secas e inundações.

Economia brasileira depende da água
O organismo financeiro destaca que 62% da energia do país é gerada em usinas hidrelétricas e 72% da água disponível para o consumo é destinada à irrigação na agricultura. O Banco Mundial lembra que o Brasil é o segundo maior exportador de alimentos do mundo — sendo a agricultura e o agronegócio responsáveis por 8,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, apenas pouco menos de 20% da área de terras irrigáveis não contam com sistemas de água para o cultivo.

Segundo a agência da ONU, mesmo com a diversificação das fontes de energia prevista para as próximas duas décadas, as usinas hidrelétricas continuarão entregando 57% da eletricidade usada no Brasil. Tamanha dependência significa que, em tempos de crise – como a vivida por São Paulo em 2014 e 2015 –, a produtividade de diversos setores econômicos pode ser ameaçada.

“Em São Paulo, por alguns meses, não ficou claro se as indústrias, como a de alumínio, grande consumidora de água, poderiam continuar produzindo no ritmo anterior à crise hídrica”, lembra o líder do programa de desenvolvimento sustentável do Banco Mundial no Brasil, Gregor Wolf.

 

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