Mudanças Climáticas

Usar o dinheiro e o crédito com consciência ajuda no combate às Mudanças Climáticas

Quando vale a pena gastar suas economias com promoções como as da Black Friday? Lembre-se de que o consumismo exagerado contribui para o aquecimento global






















No próximo dia 25 de novembro, acontece a Black Friday, data criada nos Estados Unidos para aquecer o comércio com a promessa de grandes descontos. No Brasil, o evento chegou com força há alguns anos e vem crescendo a cada edição. Mas será que vale a pena gastar o seu 13º salário em promoções tentadoras? Em que você está investindo seu dinheiro? Muitas ofertas podem parecer oportunidades imperdíveis, mas esse também é um ótimo momento para refletir sobre a real necessidade de se comprar determinados produtos e refletir sobre novos estilos de vida baseados em um consumo consciente e sustentável. Já parou para pensar que o consumismo excessivo pode afetar não apenas a sua vida, mas todo o meio ambiente, inclusive o clima do planeta?

O uso consciente do dinheiro

O dinheiro e o crédito estão presentes em praticamente todas as nossas decisões cotidianas, seja em casa, no trabalho ou na escola. Os gastos estão relacionado ao uso de recursos (água, energia, alimentos), à geração de resíduos (poluição, lixo), às questões pessoais e sociais, etc. A pergunta é: em que você está gastando? Em necessidades reais ou em um consumismo exagerado de produtos e serviços? Em 2016, mesmo com o atual cenário de crise econômica nacional, o consumo dos brasileiros deverá atingir a marca de R$ 3,9 trilhões , um crescimento de R$ 1,17 trilhões na comparação com 2012, que registrou R$ 2,73 trilhões segundo pesquisa realizada pelo IPC Maps 2016 (Indicador do Potencial de Consumo Nacional).

O aumento do consumo é estimulado por bombardeios publicitários e a Black Friday atualmente é uma das datas com maior destaque na mídia ao lado do Natal, Dia das Mães e Dia dos Namorados. E é aí que mora o perigo! Exposto a uma infinidade de ofertas, o consumidor pode perder a noção daquilo que é realmente necessário e do que é supérfluo. Com isso, fica difícil saber quais produtos valem a pena comprar, quais foram produzidos de forma adequada e quais prejudicaram o meio ambiente e afetaram o clima. Muitos itens geram gases de efeito estufa ligados ao aquecimento global e às Mudanças Climáticas em seus processos de produção e na logística de transporte. É o caso de aparelhos eletrônicos, de roupas e de móveis, apenas alguns entre inúmeros exemplos cujas produções emitem gases poluentes. E há ainda aqueles produtos que, depois de prontos, emitem GEE (Gases de Efeito Estufa) durante seu uso, como é o caso dos carros movidos a combustíveis fósseis.

Sempre que possível, o ideal é adquirir produtos “verdes”, uma tendência que vem crescendo no Brasil e no mundo. Em 2010, o mercado de orgânicos movimentou R$ 500 milhões, enquanto o de bicicletas cresceu 300% em cinco anos. Os consumidores responsáveis por esses números têm dado preferência para produtos que incorporam atitudes mais ecológicas e saudáveis. Além disso, eles não se limitam a adquirir os produtos e serviços: 45% dos consumidores acreditam que comprar menos já é uma forma de reduzir os impactos ambientais.

Crédito sempre com moderação

Na hora de adquirir um produto, é importante pensar não só no que vai comprar, mas também em como pagar ou financiar a compra. O uso de crédito, especialmente, pode ter diversos aspectos negativos se usado de maneira incorreta. A falta de limites para o consumo e o constante estímulo para a aquisição de bens e serviços, combinados à ampla oferta de crédito, leva um número cada vez maior de pessoas a se endividar e engrossar os indicadores de inadimplência, que impactam o bem-estar não apenas do indivíduo, mas de toda a sociedade.

Essa realidade pode começar a mudar com a consciência do consumidor de que ele é responsável direto pela construção de um mundo melhor, pois há um grande poder transformador do ato de consumo. Esse poder está ao nosso alcance a cada compra, quando escolhemos entre um produto sustentável ou um poluente; entre uma peça fabricada por trabalhadores em condições de trabalho justas ou outros sujeitos a condições precárias.

Usados com consciência e planejamento, o dinheiro e o crédito podem ser aliados ao bem-estar individual e a uma sociedade mais sustentável. Para isso, é importante que a aquisição de cada produto ou serviço aconteça levando-se em consideração sua real necessidade e a condição de cumprir o prazo de pagamento confortavelmente. Vale também repetir uma das mais básicas orientações para a saúde financeira pessoal: sempre que possível, é melhor economizar com antecedência para pagar à vista do que comprar a prazo.

Mais experiências e menos consumismo

Além do consumo consciente do dinheiro e do crédito, muitas pessoas vêm repensando suas vidas e valorizando aspectos como as alegrias, as emoções, os sentimentos, a arte, os amigos e os amores. Assim, o consumo de bens intangíveis ganha espaço com relação ao consumo de bens materiais. Esse novo modelo de produção e de consumo que valoriza as emoções, as ideias e as experiências mais do que os produtos materiais é a chamada “Economia da Experiência” – uma tendência do marketing mundial que anuncia novas necessidades e valores de mercado. É um fenômeno recente que atribui maior relevância ao componente emocional, aos valores e aos sentimentos que ao componente racional e material do consumo.

Essa tendência já foi apontada em uma pesquisa realizada pelo Instituto Akatu em 2012. “Para você, o que é felicidade?” Essa foi uma das perguntas que o Akatu fez a 800 brasileiros de todas as regiões do país. Os resultados da pesquisa mostraram que os entrevistados – independentemente de fatores como classe social ou faixa etária – associam sua felicidade muito mais ao bem-estar físico e emocional e à convivência social do que aos aspectos financeiros e à posse de bens. Vale a pena refletir sobre isso. Vamos gastar mais tempo com boas experiências do que com o consumismo?

Dicas para escapar das armadilhas da Black Friday

Ainda com dúvidas sobre como gastar seu dinheiro de forma consciente? Então veja aqui um roteiro com seis perguntas que o ajudarão a decidir a melhor escolha na hora das compras, principalmente nas promoções da Black Friday.

1. Por que comprar?
Pergunte-se, antes da compra, se você realmente precisa do produto ou se está sendo estimulado pelas propagandas da Black Friday, que podem levá-lo a comprar mais do que necessita ou pode comprar apenas pelo medo de perder uma “oportunidade única”. Só vale aproveitar as promoções de produtos que você já precisava, independentemente dos descontos.

2. O que comprar?
Antes de tudo, planeje uma lista do que você realmente precisa. Esse também é o momento de comparar as características dos produtos concorrentes, mesmo nas promoções. Analise as opções disponíveis. Observe qualidade, durabilidade e segurança. Atributos demais que nunca serão usados são puro desperdício. E cheque se no processo de produção dos produtos não foram emitidos gases de efeito estufa, causadores das Mudanças Climáticas.

3. Como comprar?
Faça as seguintes perguntas: devo comprar à vista ou a prazo? Conseguirei manter as prestações pagas em dia? Grandes descontos não justificam grandes rombos no seu planejamento financeiro. E mais perguntas: vou comprar perto ou longe de casa? Como vou buscar e levar minhas compras? De carro, ônibus, bicicleta, a pé? Lembre-se de que vários tipos de veículos produzem gases de efeito estufa. E onde você guardará as compras: em sacolas plásticas, sacolas duráveis, caixas de papelão?

4. De quem comprar?
Nessa época de promoções é ainda mais importante saber se o produto desejado foi produzido pelos diversos fabricantes com cuidados em relação aos trabalhadores, à comunidade e ao meio ambiente (são emissores de GEE?). Essa reflexão ajuda a evitar as compras por impulso e leva a fazer uma melhor escolha sobre a empresa fabricante da qual comprar.

5. Como usar?
É essencial encontrar formas de usar de maneira consciente os produtos e serviços adquiridos de modo a evitar a troca sucessiva de itens sempre que algo novo surge no mercado, entra na moda ou está em promoção. Alguns exemplos: ser cuidadoso no uso, usar os produtos até o final da sua vida útil, consertá-los se quebrarem antes de pensar em comprar um novo, desligar aparelhos eletrônicos quando não estão em uso e utilizar apenas a água necessária nas diversas atividades domésticas.

6. Como descartar?
Antes de comprar a superpromoção, gaste mais um minuto para imaginar: e daqui a um mês, um ano, cinco anos? Esse objeto de desejo vai estar encostado num canto da casa pegando poeira? A imagem desse futuro pode ajudá-lo a não repetir a compra do que você não precisa. E, se você decidir comprar, pense em seu descarte. Caixas e embalagens podem se transformar em brinquedos para as crianças, móveis podem ser reformados e eletrodomésticos consertados podem ser doados ou trocados. Quando realmente não houver novos usos para o produto, deve-se descartar os resíduos de maneira correta, buscando enviar o que for possível para a reciclagem.


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