Resíduos

Municípios de São Paulo ainda utilizam lixões para descartar resíduos

Os aterros sanitários e outros projetos surgem como alternativa para que os lixões sejam erradicados

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lixão no bairro de Paraisópolis, em São Paulo. Crédito: Creative commons/André Dantas

 

Em estudo realizado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) mostrou que 38 municípios têm lixões como forma de descarte de resíduos. Na pesquisa, foram avaliadas, no total, 163 cidades. Nesses locais, as pessoas costumam depositar itens que não querem mais, sem nenhum tipo de seleção ou proteção para o solo e que podem causar problemas de saúde nos seres humanos, além da contaminação do meio ambiente.

A maior parte dos lixões é aberta e não possui restrição de entrada. “As pessoas podem entrar e atear fogo em compostos com cloro, que podem gerar dioxinas e furanos, que são componentes carcinogênicos. Esses compostos podem ser carregados por grãos de poeira que param em gramas que servem de alimentação para a vaca e que vão para o leite e a carne que o ser humano consome”, alerta Ednilson Viana, professor de Gestão Ambiental da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo, em entrevista publicada no site da Agência USP. Outro risco é que os resíduos expostos causam proliferação de animais que podem causar doenças.

Como alternativa, existe o aterro sanitário, que pode ser usado para o descarte de resíduos. Ao contrário dos lixões, é um projeto de engenharia que passa por uma série de normas para ser construído, operado, encerrado e monitorado após o encerramento. As normas de construção para descarte de resíduos não perigosos foram feitas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o manual foi nomeado de NBR 13 896.

O que é preciso para construir um aterro sanitário?
O primeiro passo para construir um aterro sanitário, segundo o professor Viana, é selecionar uma área adequada. O local não pode ser próximo a um rio e a permeabilidade do solo precisa ser analisada para que não tenha risco de vazamento para o lençol freático. Tem restrição à distância em relação aos núcleos urbanos e a direção do vento também não pode ser em direção ao núcleo urbano porque causa odores. Após encontrar essa área adequada, é preciso impermeabilizar o solo com materiais como plástico e argila.

Depois é construído um sistema de drenagem para carregar o líquido que vai escorrer e também para levar o biogás que será produzido com a queima de componentes. Os resíduos são cobertos periodicamente para ficarem protegidos da chuva e para que não fiquem expostos aos animais. Mesmo se for construído adequadamente, ele precisa ser operado de maneira correta para que não se torne um lixão em pouco tempo.

Um projeto que deu certo
O professor Viana cita o aterro sanitário da Essencis, em Caieiras (SP), como um projeto que deu certo e que pode servir de exemplo para outros planos de gestão de resíduos. Lá são manejadas 10 mil toneladas de resíduos por dia que permitirão uma vida útil de 15 anos.

Apesar de ser uma boa opção, o aterro sanitário ainda não é a solução final para o descarte de lixo. A forma mais correta seria por meio da “hierarquia de resíduos”, que mostra todos os passos de manejo para que o resíduo seja levado ao aterro apenas no final do processo. “É preciso fazer o possível para valorizar esses resíduos sólidos antes de descartá-los por completo”, diz Viana à Agência USP. A primeira etapa para valorização do resíduo é reciclagem e reutilização. Se isso não for possível, a próxima fase é retirar a energia do resíduo através da queima. “Se não der para fazer essas duas coisas, a solução torna-se o aterro sanitário”, diz o professor.

Muitos municípios afirmam que não possuem recursos financeiros para substituir lixões por aterros sanitários. Para o professor Viana, o problema é o nosso modelo de gestão dos resíduos, que não está adequado. Quando se cuida dos resíduos de forma individual no município, o custo que recai sobre cada lugar é muito alto.

O papel do consumidor
Segundo Viana, o indivíduo também tem um papel fundamental no que se refere ao descarte do lixo. Em primeiro lugar, ele precisa tomar consciência de que se o seu resíduo não for tratado da maneira correta pode trazer resultados negativos para ele próprio e sua saúde. “Ele é dono do resíduo dele e responsável por isso. Não é porque ele colocou na rua que a sua responsabilidade acabou. Quando o resíduo é bem tratado, ele se torna uma fonte de recursos e não um estorvo.”

Para o Instituto Akatu, iniciativas que reduzem o descarte inapropriado de lixo devem ser valorizadas, e o consumidor deve fazer o possível para evitar a geração desnecessária de detritos, lembrando sempre dos três “R”: reduzir, reaproveitar e reciclar.

 

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