Sustentabilidade

Brasileiro trabalha, em média, mais de 25 dias para comprar um smartphone

O Instituto Akatu calculou quanto tempo o brasileiro de renda média precisa trabalhar para comprar alguns itens; objetivo é conscientizar sobre a importância de evitar compras por impulso e desnecessárias

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na hora de comprar um produto, você já parou para pensar em quanto tempo trabalhou para ganhar o dinheiro para pagá-lo? Essa reflexão ajuda a perceber que uma compra por impulso de um produto, que muitas vezes vai para o lixo ou fica encostado, representa não é só um gasto inútil de dinheiro e de recursos naturais, mas também de um precioso tempo de vida.

O brasileiro trabalha, em média, 1737 horas por ano, mais que o japonês (1729 horas), o canadense (1703 horas) e o italiano (1719 horas). Isso corresponde a 20% do tempo total de vida de uma pessoa em um ano – sem contar o tempo gasto no deslocamento entre a casa e o local de trabalho. Por isso, no Dia Internacional do Trabalhador (1/5), o Instituto Akatu calculou o tempo de trabalho gasto pelo brasileiro de renda média para comprar alguns itens.

Para comprar um tênis que custa R$ 200, por exemplo, o brasileiro de renda média precisa trabalhar 25 horas e 48 minutos, ou seja, mais de 3 dias (veja abaixo como fizemos esse cálculo). A compra de um cosmético de R$ 20, como um creme hidratante ou um xampu, exige que um brasileiro de renda média trabalhe 2 horas e 15 minutos. Isso traz para a consciência o fato dessas compras representarem, na verdade, a entrega de um tempo de vida em troca de um produto. 

Assim, se as compras foram motivadas por um impulso momentâneo ou se os produtos ficarem encostados no fundo do armário, o tempo gasto de vida para sua compra foi, na verdade, jogado fora. Este comportamento não é raro: mais de um terço dos consumidores (33%) no Brasil compram sem necessidade, motivados por promoções, de acordo com um levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Nas classes C, D e E, esse percentual sobe para 35%. Outra pesquisa do SPC, divulgada em 2015, revelou que mais da metade dos consumidores brasileiros (53%) admitem ter realizado pelo menos uma compra por impulso nos últimos três meses*.

Até mesmo a feira da semana, se não for bem planejada, pode resultar em uma compra em excesso, que pode levar parte do alimento a estragar antes de ser ingerido. Por exemplo, se uma compra mal planejada deixa apodrecer 1 quilo de bananas compradas por R$ 5, se terá jogado fora não só o dinheiro, que custou 40 minutos de trabalho de um brasileiro de renda média – mas também os recursos naturais usados na produção, como a água consumida para cultivar a fruta. Para se ter uma ideia, são gastos 790 litros de água para produzir 1 quilo de banana, na estimativa da ONG Water Footprint.

Um outro exemplo tem a ver com a troca de celular que ocorre a cada um ano e um mês para a média dos brasileiros, segundo um levantamento feito por um fabricante de celulares em 2015. Para comprar um smartphone de R$ 1.500, um brasileiro de renda média trabalha 193 horas ou 25 dias e meio de trabalho. Para a quase totalidade das pessoas, não há como evitar o uso de tempo para ganhar dinheiro para adquirir bens de consumo que são úteis e necessários. Por isso, nesse processo, é importante avaliar o quanto somos induzidos pela publicidade a fazer uma troca de um equipamento eletrônico, com a promessa de ficarmos mais eficientes e “modernos”, sem que tal troca seja realmente necessária.

Por isso, antes de fazer uma compra, pense nas seguintes perguntas: por que comprar? Eu preciso mesmo disso ou estou sendo seduzido por promoções e anúncios? Além de levar em consideração os limites do planeta – afinal, os recursos naturais dos quais dependemos são finitos – é essencial que as pessoas reflitam sobre o que é importante na vida delas e como vão usar o seu tempo. Na correria do dia a dia, é importante encontrar um jeito de avaliar se a nossa rotina reflete as nossas prioridades e valores, se estamos aplicando nosso tempo no que realmente é importante para nós. Aquilo que eu gosto de fazer, que me faz feliz, está no meu cotidiano ou nos meus planos? Estou usando bem o tempo que dediquei ao trabalho, buscando comprar o que eu realmente necessito?

É verdade que muitas pessoas não tem a opção de trabalhar menos horas por dia, caso decidam consumir menos. Isso não quer dizer que devem usar o dinheiro ganho no trabalho para comprar o que não necessitam. Mas, sim que, quem consome menos, tem a oportunidade de colocar recursos na poupança ou em uma previdência privada, o que trará uma maior tranquilidade futura, por exemplo.

E caso haja a possibilidade de trabalhar menos tempo, é interessante que cada pessoa tenha consciência do que fazer com o seu tempo livre. Passar mais tempo ao lado da família e dos amigos, por exemplo, pode ser mais importante do que a compra de presentes para essas mesmas pessoas. Ter uma experiência inesquecível, como uma viagem ao lado de uma pessoa especial, pode ser mais gratificante e trazer mais felicidade do que comprar um bem que impressione os conhecidos. É bom lembrar que o que precisamos nem sempre é material.

Como calculamos
Dois números foram considerados como base para nossos cálculos de horas trabalhadas pelos brasileiros: segundo o escritório de St. Louis, do Federal Reserve (FED), o banco central americano, a média anual dos brasileiros foi de 1711 horas de trabalho por ano, em 2014. Para a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), essa média foi de 1763 horas por ano. Fazendo uma média entre essas duas estimativas, chegamos a 1737 horas trabalhadas ao ano, que corresponde a quase 20% do tempo da vida de uma pessoa em um ano. Considerando que um brasileiro trabalha 1737 horas por 11 meses (1 mês de férias), isso significa que trabalha 158 horas por mês. Considerando o rendimento médio mensal dos brasileiros de R$ 1.226 (segundo o IBGE), o ganho por hora é de cerca de R$ 7,75 – valor que foi considerado para fazer os cálculos  acima. Vale considerar que a apresentação desses cálculos tem apenas objetivos didáticos, visando ilustrar o quanto de horas de trabalho uma pessoa dedica para comprar um determinado produto.
 

 

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