Sustentabilidade

Para ambientalistas, novo Código Florestal contribuiu para aumento no desmatamento

É a primeira vez em 12 anos que o desmatamento na Floresta Amazônica apresenta aumento consecutivo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Árvores derrubadas em área de exploração ilegal de madeira na Floresta Amazônica, no Pará.
Crédito: Creative commons/ Vinícius Mendonça - Ascom/Ibama

 

O desmatamento na Amazônia voltou a crescer. A floresta perdeu cerca de 29%, ou seja 7.989 km2, no período de agosto de 2015 a julho de 2016. O índice foi divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É a primeira vez em 12 anos que o desmatamento na maior floresta tropical do planeta apresenta aumento consecutivo.

Segundo especialistas, esse problema está relacionado às alterações no Código Florestal, realizadas em 2012. ""Os números falam por si. A taxa oficial de desmatamento do governo mostra uma alta de 75% desde que as mudanças do Código Florestal foram aprovadas", afirmou Antônio Fonseca, um dos responsáveis pelo boletim de desmatamento do Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia), em entrevista à Folha de S. Paulo."

Uma das mudanças mais polêmicas aprovadas no novo código foi a anistia para quem desmatou até 2008. "Essa decisão passa a mensagem de que desmatar compensa. Porque, assim como houve essa anistia, provavelmente virão outras", afirma Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima (OC), que reúne 40 organizações ligadas à preservação ambiental.

Em 2012, o desmatamento amazônico alcançou seu mínimo histórico, com 4.571 km2 de área destruída, segundo dados do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia  Legal por Satélite). A validação do Código Florestal, no fim daquele ano, coincide com a inversão da trajetória de queda. Em 2013, já houve alta de 20%. O impacto fica visível quando se compara a área total destruída, que teve alta de 74,8% desde a aprovação das novas regras.

Outros problemas também estão colaborando para a devastação da Amazônia. Um deles é o desmatamento especulativo no qual grandes áreas de floresta são destruídas – em geral substituídas por pastos – com a função de sinalizar uma ocupação, visando algum benefício futuro com aquele terreno. E a criação de novas Unidades de Conservação e Terras Indígenas – instrumentos eficazes no combate ao desmatamento – praticamente parou. Está estagnado.

Combate ao efeito estufa
Além da perda ambiental, o desmatamento pode comprometer também os compromissos de redução de emissão de gases de efeito estufa, firmados no Acordo de Paris, com o objetivo de limitar o aquecimento do planeta em 1.5ºC e evitar graves consequências das mudanças climáticas. Vale lembrar que a perda de cobertura florestal é a principal fonte das emissões do país. A estimativa é de que essa destruição tenha liberado na atmosfera 586 milhões de toneladas de carbono equivalente – o mesmo que 8 anos de emissões por todos os automóveis no Brasil, segundo dados divulgados no site do Greenpeace . O país está comprometido por lei a reduzir a derrubada da floresta amazônica em 80% em relação à média do período entre 1996 e 2005. Os números de desmatamento hoje são praticamente o dobro daqueles que o Brasil precisa ter  daqui a quatro anos.

A estimativa é de que essa destruição tenha liberado na atmosfera 586 milhões de toneladas de carbono equivalente – o mesmo que 8 anos de emissões por todos os automóveis no Brasil. Isso faz com que o país se distancie das ações necessárias para limitar o aquecimento do planeta em no máximo 1.5ºC e evitar graves consequências das mudanças climáticas.

Mas ainda há esperança. Uma notícia positiva é a implementação e divulgação pública dos dados do CAR (Cadastro Ambiental Rural). É uma espécie de mapa das propriedades rurais do Brasil, com informações dos terrenos – áreas de nascente, florestas e pontos desmatados. A plataforma permitirá que o governo compare o estado das ocupações e eventuais irregularidades. Estima-se que 99% dos imóveis rurais passíveis de cadastramento já estejam na base de dados. Na última semana de novembro, o Ministério do Meio Ambiente tornou público o acesso aos dados do CAR, o que permitirá também uma fiscalização da sociedade civil sobre essas áreas. Essa ferramenta por si só não resolve o problema mas ajuda para que todos nós fiquemos de olho na nossa Amazônia.

Consumo consciente
A destruição das matas nativas sem sua renovação sustentável tem um impacto negativo muito grande. Além disso, o desmatamento é uma das maiores fontes de emissão de GEE no Brasil. A maior parte de toda madeira extraída ilegalmente é vendida no próprio mercado brasileiro. Por isso, o consumidor consciente deve comprar apenas produtos e materiais de construção feitos com madeira certificada: aqueles que têm o selo FSC, ou o de madeira de reflorestamento. Essa simples atitude provoca impactos significativos não só no meio ambiente, mas também nos indivíduos, na sociedade e na economia. Use seu consumo como instrumento transformador da realidade em uma direção crescentemente sustentável.

 

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