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20.12.16 às 12:12

Pesca predatória: ficaremos sem peixes em nosso cardápio em 2048

De acordo com a WWF, a frota pesqueira global é duas a três vezes maior do que os oceanos podem suportar de forma sustentável

Já pensou não ter mais peixes para incluir na sua rotina alimentar? Pois saiba que o risco é grande disso acontecer. Se a pesca continuar seguindo o ritmo atual, as espécies pescadas podem desaparecer até 2048, colocando em perigo a segurança alimentar e o meio de vida de milhares de pessoas, segundo a ONG Fundo Mundial para a Natureza (WWF, sigla em inglês).

De acordo com a organização, a frota pesqueira global é duas a três vezes maior do que os oceanos podem suportar de forma sustentável. Isso significa que estamos retirando mais peixes dos mares, sem a renovação adequada de seus estoques. Os oceanos não são uma fonte inesgotável de alimento. A quantidade de peixes nos mares é finita. Cerca de 53% da pesca no mundo todo estão sendo totalmente exploradas e 32% já estão na fase de superexploração ou se recuperando do esgotamento.

E os problemas não param por aí. As práticas de pesca ilegais e destrutivas levam à morte outras espécies essenciais ao ecossistema marinho, como golfinhos, tartarugas, aves marinhas, tubarões e corais.

A WWF enumera várias causas sobre esse problema: má gestão das pescas, atividades predatórias e destrutivas que não respeitam as leis e os acordos mundiais sobre a pesca, capturas de pescados jovens e de outras espécies marinhas, e parcerias que permitem a determinadas frotas a sobrepesca nos mares de países em desenvolvimento.

“Embora muitas empresas pesqueiras estejam conscientes da necessidade de tratar as populações de peixes com cuidado e respeito, a ganância de algumas grandes frotas comerciais têm gerado um enorme efeito negativo sobre a pesca em todo o mundo”, observa Melissa Breyer, em artigo no site Treehugger. Mas, apesar da situação preocupante, ela ainda é otimista. “Felizmente, não é tarde demais. Há uma série de iniciativas e programas globais em funcionamento para reverter esse terrível problema. Além da WWF, outras organizações pedem que medidas urgentes, incluindo proibições de pesca, sejam adotadas, com o apoio das Nações Unidas, a fim de proteger os oceanos das atividades predatórias da pesca”.

O que o consumidor pode fazer?

Se quisermos continuar a nos alimentar do mar, será importante apoiarmos a pesca sustentável. Nesse sentido, o papel do consumidor é de demandar que os seus fornecedores, sejam eles o peixeiro da feira, o grande supermercado ou o dono do restaurante, só ofertem os peixes que não estão em risco de extinção e que não estão em época de defeso. Outra medida importante é dar preferência a produtos de maricultura e aquicultura, atividades que englobam a produção de uma ampla variedade de organismos aquáticos marinhos, desde vegetais como as algas, os invertebrados como os crustáceos e moluscos, até vertebrados como peixes e répteis, onde os animais são criados em áreas delimitadas e sua produção é, em geral, controlada e sustentável. A WWF disponibiliza em seu site um guia de compras de frutos do mar (em inglês) . Há também o Guia de Consumo Responsável de Pescados Unimonte (em português). São ações dos consumidores que, quando levadas ao coletivo, tem um enorme impacto.

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