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03.06.21 às 12:00

Cuidar é da nossa natureza

Conheça mais sobre as riquezas dos nossos seis biomas e aprenda práticas de consumo consciente que ajudam a protegê-los.

A essência humana é a do cuidar. Criamos nossas relações a partir do cuidado com o outro e só alcançamos o almejado bem-estar cuidando bem de nós mesmos, de tudo o que nos cerca e do ambiente em que vivemos. E não há verbo mais propício para conjugar neste momento em que a pandemia do coronavírus e a crise decorrente dela salientam que a sustentabilidade — a busca do que é bom para todos — é o único caminho possível para a manutenção da vida no planeta. 

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), convidamos você a resgatar com a gente essa nossa essência. Precisamos cuidar da natureza hoje para termos um futuro melhor amanhã. Vamos juntos? 

Ao adotar hábitos de consumo mais conscientes — na compra, no uso e no descarte de produtos e serviços —, contribuímos para a proteção do meio ambiente como um todo e de nossos ricos biomas, que há anos sofrem os impactos negativos da ação humana predatória. Cuidar deles é cuidar de quem provê todos os recursos naturais necessários para a nossa vida.   

SEIS BIOMAS E UM MONTE DE RAZÕES PARA CUIDAR DELES

Amazônia

O maior bioma do Brasil (ocupa 49% do território nacional) é também a maior floresta tropical e a dona da maior bacia hidrográfica do mundo — a vazão do Rio Amazonas corresponde a 20% da vazão conjunta de todos os rios do planeta. Ali vivem 1/3 de todas as espécies existentes: só de árvores são 2.500, 1/3 da madeira tropical global.

Infelizmente, a Amazônia também está repleta de superlativos quando se trata dos impactos negativos da ação humana:

→ em março de 2021, o desmatamento na Amazônia cresceu 12,6% em relação a março de 2020, ano em que atingiu os níveis mais elevados dos últimos 12 anos. Essa destruição ameaça espécies e agrava a Crise Climática: o desmatamento do bioma é a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa do Brasil

→ 80% da produção madeireira da Amazônia provêm de exploração ilegal e, além disso, cerca de 60% a 70% da madeira é desperdiçada

Cerrado

Segundo maior bioma brasileiro, espalha-se por 10 estados e cobre mais de 23% do território do país. Trata-se de uma das regiões com maior biodiversidade do planeta, com significativo grau de endemismo (quando uma espécie ocorre exclusivamente em uma determinada região geográfica). Estima-se que sua flora tenha mais de 10 mil espécies: entre as vegetais, mais de 200 têm uso medicinal e 416 podem ser utilizadas na recuperação de solos degradados.

Toda essa riqueza sofre ameaças constantes, hoje principalmente pela expansão da agricultura e da pecuária:

→ 40% do bioma já perdeu totalmente suas características originais e outros 40% a mantêm parcialmente

→ estima-se que 20% das espécies endêmicas e nativas já não ocorram em áreas protegidas e que pelo menos 137 espécies animais estão ameaçadas de extinção

Mata Atlântica

Em alguns trechos de floresta deste que é o terceiro maior bioma do Brasil, os níveis de biodiversidade existentes são considerados os maiores do planeta — em 1993, um estudo realizado por técnicos do Jardim Botânico de Nova Iorque registrou ali a maior diversidade de árvores do mundo, foram 450 espécies diferentes encontradas em apenas 1 hectare. É também ali que habitam 4 espécies de mico-leões exclusivos do Brasil: o mico-leão dourado, o mico-leão de cara dourada, o mico-leão preto e o mico-leão de cara preta.

Mas a exploração predatória já destruiu mais de 93% da Mata Atlântica. E pode continuar destruindo: 

→ é o bioma que mais sofreu os impactos dos ciclos econômicos do Brasil: cerca de 70% da população brasileira vive na sua região, que abriga a maioria das cidades metropolitanas 

→ a maior parte das espécies ameaçadas de extinção é originária da Mata Atlântica, como os mico-leões, a lontra, a onça-pintada, a arara-azul pequena e o tatu-canastra

Caatinga

Ocupando quase 10% do território nacional, é o bioma com as características mais áridas e alta presença de espécies endêmicas: são 327 de animais e 323 de plantas. Por suas peculiaridades, algumas espécies apresentam adaptações, tais como couraça mais resistente para evitar a perda de água, capacidade de adiar a postura de ovos para o período de chuvas e, no caso das plantas, folhas finas ou inexistentes e raízes rasas para absorver ao máximo a água das chuvas.

Com apenas 8,8% de sua área protegida por Unidades de Conservação (UC), o bioma é colocado em risco por atividades humanas:

→ metade do bioma já foi devastado pela ação do homem e entre 15-20% está em alto grau de degradação

→ estima-se que a agropecuária exerça pressão em 90 espécies já ameaçadas de extinção no bioma

Pampa

Apesar de ocupar apenas 2% do território do Brasil, o bioma (também chamado de Campos do Sul) é lar de aproximadamente 3 mil espécies de plantas e possui a maior biodiversidade vegetal por metro quadrado — um estudo encontrou 57 espécies de plantas diferentes em apenas 1 metro quadrado. O Pampa é também uma das áreas mais significativas em relação à espécies de aves endêmicas.

Nos últimos anos, porém, o bioma perdeu 24% — ou 2,3 milhões de hectares — de vegetação:

→ atualmente, a agricultura (arroz, milho, trigo e soja) ocupa 41% do bioma

→ resta apenas 2% da cobertura original da mata das araucárias característica do bioma, abrigadas em áreas de conservação

Pantanal

O menor bioma brasileiro possui uma das maiores áreas úmidas continentais do planeta e apresenta um grau de conservação maior se comparado aos outros cinco. Abriga cerca de 4.700 espécies de plantas e animais — lembrando que é habitat natural do maior felino das Américas, a onça-pintada, e que há mais espécies de aves no Pantanal (656) do que em toda a América do Norte (cerca de 500). Estudos indicam que o bioma gera US$112 bilhões por ano por meio de seus serviços ecossistêmicos.

Ainda assim, ele não está livre dos impactos das ações humanas:

→ em 2020, as queimadas no Pantanal resultaram em uma área perdida equivalente a do Estado do Rio de Janeiro: cerca de 38.600 km²

→ a parte alta da Bacia do Alto Paraguai, área que concentra o maior número de nascentes que alimentam o Pantanal, já perdeu 58% da sua cobertura vegetal original

5 CAMINHOS PARA CUIDAR DA NATUREZA POR MEIO DO CONSUMO

Suas escolhas de consumo têm mais a ver com a preservação dos biomas brasileiros e do meio ambiente em geral do que você talvez imagine. Pois a produção de todo e qualquer item exige recursos naturais — como água, energia e matérias-primas — e emite gases poluentes. 

E já que não existe vida sem consumo e todo consumo gera impactos, que possamos adotar práticas e hábitos mais sustentáveis, que ajudem a cuidar da nossa natureza. Quer alguns exemplos?

1. De onde vem e como é feito. Procure conhecer a origem e a cadeia produtiva dos itens que pretende consumir para escolher opções mais sustentáveis, cujo processo produtivo utiliza menos recursos naturais e gera menos impactos socioambientais. Verifique principalmente a procedência de: alimentos, produtos que têm madeira como matéria-prima (papel, móveis, palitos, cabos de vassoura), óleos essenciais (cosméticos, fármacos e produtos de limpeza), itens feitos de látex e borracha (calçados, acessórios, brinquedos) e objetos que levam sementes, frutos, cipós e fibras.

2. Com certificação é sempre melhor. Privilegie produtos que sejam reconhecidos por selos: há alimentos com certificação de que seguem padrões de bem-estar animal (selo Certified Humane); certificações em pescados garantem que sua origem não é da pesca predatória (selos MSC e ASC); alimentos orgânicos, aqueles cuja produção é livre de agrotóxicos, também podem ter certificações (selos produto orgânico do Brasil e IBD); a carne vermelha certificada quer dizer que sua produção não está vinculada ao desmatamento de novas áreas (busque por certificações como a Rainforest Alliance); e produtos feitos de madeira certificada indicam que sua fonte é legal e sustentável (selo FSC ou certificações de manejo florestal, de cadeia de custódia ou de madeira controlada). 

3. Menos carne bovina. Não consumir ou diminuir o consumo de carne bovina contribui para a preservação do meio ambiente, uma vez que o desmatamento para a abertura de novas terras para a pecuária é uma das principais ameaças aos biomas brasileiros.

4. Menos papel. O uso do papel pode ser limitado ao estritamente necessário. Ainda que a maior parte da produção venha de florestas plantadas e não nativas, economizar papel é evitar o gasto de recursos naturais como água e energia em seu processo produtivo e poupar a emissão de gases de efeito estufa.

5. Apoie e defenda os povos tradicionais. Eles são os verdadeiros guardiões dos nossos biomas. Faça doações para instituições de confiança que direcionam seus esforços para garantir os direitos de povos e comunidades tradicionais, tais como indígenas, quilombolas, ribeirinhos e extrativistas, entre outros. Algumas sugestões: Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Instituto Socioambiental (ISA), Quilombos do Ribeira e Núcleo de Apoio à População Ribeirinha da Amazônia (NAPRA).

CUIDAR — E RESTAURAR TAMBÉM

Além de contribuir para preservar o meio ambiente, o consumo consciente também pode ajudar a recuperar ecossistemas que foram degradados ou destruídos. A exemplo dos biomas nacionais, os dados de impacto da ação humana ao longo dos anos deixam claro que há muito o que ser restaurado em cada um deles.

A boa notícia é que todos os tipos de ecossistemas podem ser recuperados. E esse movimento é tão importante que o Programa para o Meio Ambiente da ONU está lançando neste Dia do Meio Ambiente de 2021 a Década das Nações Unidas da Restauração dos Ecossistemas

Todos nós temos um papel fundamental na prevenção da degradação e na restauração dos ecossistemas. E podemos começar com atitudes simples, tais como plantar árvores, restaurar jardins, mudar a nossa alimentação e ajudar a tornar as cidades mais verdes. Clique aqui e conheça outras maneiras de contribuir. 

E declare que você faz parte desse movimento aqui!

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