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15 caminhos para a sustentabilidade

A construção de um futuro mais sustentável exige mudanças no nosso jeito de produzir, consumir e viver. É necessário, então, que todos — organizações da sociedade civil, empresas e governos — assumam sua parte para possibilitar a adoção de práticas mais saudáveis e sustentáveis. Para inspirar esses atores, nós criamos os 15 Caminhos para a Sustentabilidade.

Um primeiro conjunto de 8 caminhos demanda mudanças na forma de produzir e de consumir:

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O durável mais que o descartável
Ainda que possua custo inicial mais elevado, um produto com maior durabilidade retorna o investimento ao longo do tempo, pois evita a necessidade de adquirir um novo, representando uma economia para o bolso a longo prazo. Ao buscar comprar o mais durável, identifique se o produto oferece a chance de ser reparado/consertado, recondicionado ou remodelado, o que ajuda a evitar compras sucessivas. Isso naturalmente beneficia o meio ambiente, uma vez que reduz o consumo de recursos naturais para a fabricação de novos itens.
Incentivar a produção local favorece o desenvolvimento econômico da região e reduz os impactos negativos gerados pelas emissões de gases poluentes dos serviços de transporte de produtos. Comprar mais perto de casa também permite ao consumidor conhecer melhor a origem e os impactos causados pelo item que está comprando.

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A produção local mais que a global

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o compartilhado mais que o individual
Ao suprir as necessidades de um grande número de pessoas, o compartilhamento do uso de produtos reduz ou até elimina o tempo em que o produto fica ocioso, garantindo seu uso máximo durante toda a vida útil. Desta forma, evita-se a extração de recursos naturais para a produção de novos itens, eliminando-se os impactos negativos que viriam com ela. O consumo colaborativo não tem excessos, pois é centrado no uso e não na compra.

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O integral mais que o desperdício
Aproveitamento integral de um produto quer dizer consumir tudo aquilo que é utilizado na sua produção ou tudo o que o compõe. Vai, portanto, na contramão do desperdício. No caso dos alimentos, usar receitas que aproveitam cascas, talos e sementes, além de verduras ou frutas um pouco machucadas, são exemplos desse caminho. Em outros produtos, estender ao máximo sua vida útil, pelo cuidado no uso, conserto ou recondicionamento, é outro exemplo.

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O saudável mais que o prejudicial
No trabalho, no lazer ou nas práticas diárias, a escolha do saudável, possível por meio do acesso à informação, proporciona equilíbrio e bem-estar. Especificamente na alimentação, a preferência por produtos orgânicos e livres de agrotóxicos resultam em um menor consumo futuro de remédios para cuidar de possíveis doenças e um menor dano ao meio ambiente.

06

O virtual mais que o material
É bom explicar: um produto virtual não significa algo totalmente imaterial, pois seu funcionamento demanda o uso de um servidor e um aparelho eletrônico para o usuário acessá-lo. Mas certamente o virtual é uma alternativa em que a geração de resíduos é extremamente baixa quando comparado ao produto físico que está substituindo. E o incentivo ao desenvolvimento de novas tecnologias leva continuamente a um menor consumo de recursos naturais na cadeia produtiva e na manutenção de estruturas físicas, além de uma redução na demanda logística de transporte (seja de carga, seja de pessoas).
Produtos concentrados oferecem diversas vantagens ao consumidor e ao meio ambiente: para cumprir a mesma função que os diluídos, eles demandam menos água em sua fórmula e usam menos materiais em suas embalagens. E, por serem mais compactos, geram menos resíduos, utilizam um menor volume no transporte (mais unidades em cada carga) e, consequentemente, emitem menos gases poluentes. Também são mais fáceis de serem armazenados pelo consumidor, pois demandam menor espaço.

07

Os concentrados mais que os diluídos

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A experiência mais que o tangível
O consumismo da sociedade atual tende a privilegiar os bens materiais, quando na realidade há muito valor percebido pelos consumidores no tempo dedicado a sensações, experiências, emoções e convivências — o que realmente deixa marcas fortes na memória. Em datas comemorativas, compartilhar o tempo com a família e amigos ao invés de dar presentes é um exemplo.
Um segundo conjunto de 4 caminhos demanda mudanças especialmente na forma de operar, gerir e compartilhar valor pelas empresas:

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A cooperação mais que a competição
Ao adotar estratégias colaborativas em oposição à competição, as empresas podem acelerar mudanças na forma de se produzir, nos próprios produtos e nos mercados. Assim, podem também contribuir com a rápida solução de problemas ligados aos impactos negativos da produção, do uso e do descarte de produtos.

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A publicidade não voltada para o consumismo
Grande parte da publicidade tem como objetivo a venda de um produto ou serviço. No entanto, ela não precisa promover a insustentabilidade inerente a um ato de compra pelo impulso, desconsiderando a real necessidade do consumidor. A publicidade pode conscientizar, abordar a necessidade voltada ao bem-estar e fornecer informações para que o consumidor tome decisões de compra com base no que julgar ser, ao mesmo tempo, melhor para si, para a sociedade em geral, para a economia e para o meio ambiente.

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As empresas informando os impactos socioambientais de seus produtos/serviços
Quanto mais bem informado, melhores são as condições do consumidor analisar os impactos de seu consumo ao decidir comprar um produto ou serviço. Portanto, a transparência ativa por parte das empresas consiste no desejo de informar todos os impactos derivados do seu processo produtivo, do uso e do descarte de seus produtos ou serviços. Dessa forma, ela possibilita que o consumidor faça uma melhor escolha.

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As empresas compartilhando valor de forma justa entre todos os stakeholders
A ideia da criação de valor compartilhado consiste na substituição da perspectiva limitada da criação de valor voltada somente aos interesses do acionista por uma perspectiva social ampla, focada na criação e no compartilhamento de valor para a empresa e para todos os seus stakeholders: colaboradores, clientes, fornecedores, comunidades locais e sociedade em geral.
Um terceiro conjunto de 3 caminhos exige mudanças na forma de organização da vida em sociedade:

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O TEMPO redistribuído em equilíbrio entre trabalho, educação, relações afetivas e lazer
Dividir bem o tempo entre as diversas áreas durante toda a vida é essencial para se manter o bem-estar e boas condições físicas, mentais e espirituais. Sendo assim, empresas, governos e sociedades devem oferecer alternativas que propiciem às pessoas um melhor equilíbrio do uso de tempo cotidiano de forma distribuída entre trabalho, educação, relações afetivas, desenvolvimento espiritual, ócio criativo e lazer. As empresas, por exemplo, podem contribuir flexibilizando a jornada de trabalho ou autorizando o trabalho em casa, de maneira a facilitar o uso do tempo para todos os elementos importantes de uma vida humanizada.

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A CARGA DE TRABALHO GLOBAL reduzida e redistribuída
A jornada de trabalho de 40 horas semanais perdura praticamente no mundo todo desde 1890, mesmo com o enorme progresso científico e tecnológico e ganho de produtividade conquistados. A manutenção da jornada não permitiu aos trabalhadores incorporarem uma parte justa deste ganho de produtividade, levando a um aumento crescente na concentração de renda, que beneficia poucos. Reduzir a carga de trabalho global e redistribuí-la é essencial para uma apropriação mais justa dos ganhos de produtividade.
A sociedade contemporânea se caracteriza pelo atributo do excesso do consumo, de trabalho, de impactos negativos e de geração de resíduos, naturalmente sem corresponder a uma distribuição justa dos benefícios. Substituir o excesso pela suficiência em todos os aspectos da vida deve ser parte de uma mudança nos estilos vigentes de vida, para possibilitar que haja o suficiente para todos para sempre.

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A SUFICIÊNCIA substituindo o excesso