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16.07.21 às 18:09

Dia da Sobrecarga da Terra: o Brasil em um contexto mundial

Confira alguns países cujos modelos de produção e de consumo servem de exemplo do que se deve (ou não) fazer para conseguirmos adiar essa data

O cálculo do Dia da Sobrecarga da Terra é global, levando em consideração o planeta como um todo, e este ano caiu no dia 29 de julho. Mas também existe o cálculo do Dia da Sobrecarga da Terra de cada país. Ele demonstra quando entraríamos no “cheque especial” planetário se toda humanidade consumisse, por exemplo, do mesmo modo que a população do Brasil ou da Suécia, mostrando diferentes realidades e desafios ao redor do globo.

Cada país tem a sua pegada ecológica, cujo valor é dividido pela biocapacidade do planeta (a quantidade de recursos ecológicos que a Terra é capaz de regenerar por ano) para determinar quando seria o Dia de Sobrecarga da Terra de cada nação.

Em geral, os países com uma indústria competitiva e economia mais desenvolvida são aqueles que mais emitem gases de efeito estufa, logo, são os que possuem maior pegada de carbono. Eles também precisam de mais recursos naturais para manter o estilo de vida local, a exemplo de Catar, Estados Unidos, China e boa parte da Europa Ocidental. Se o mundo consumisse como o Catar, o Dia da Sobrecarga da Terra seria em 9 de fevereiro!

Já países em desenvolvimento, caso do Brasil, tendem a ter uma pegada ecológica menor, cada nação tendo as suas particularidades. Veja alguns exemplos e saiba quando seria o Dia da Sobrecarga da Terra se o mundo tivesse a pegada ecológica de diferentes países, além de entender o que podemos aprender com os extremos desse ranking.

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Brasil

Dia da Sobrecarga da Terra: 27 de julho → consumimos 1,5 planeta por ano

A pegada ecológica do Brasil é semelhante à média global, com pontos positivos e negativos. Somos o 13º maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, mas possuímos uma posição de destaque em biocapacidade, graças à Floresta Amazônica. O Brasil tem, proporcionalmente, um dos maiores setores de energias renováveis do mundo, com grande parte da eletricidade proveniente de hidrelétricas (Earth), Por outro lado, tem aumentado os índices de desmatamento e de queimadas (para a abertura de novas terras para a produção de gado) em biomas como Amazônia, Pantanal e Cerrado, atividade que emite muito gases de efeito estufa (GEE). Regras rígidas de controle e proteção ambiental e uma alteração na forma de produção e na cultura de consumo, sobretudo de carne vermelha, poderiam trazer impactos positivos e melhorar a posição brasileira no ranking de sobrecarga da Terra.

Catar

Dia da Sobrecarga da Terra: 9 de fevereiro → consome 9,21 planetas por ano

O principal desafio ambiental do país é a falta de água doce, solucionada por meio de tecnologias de dessalinização de ponta que demandam muitos recursos naturais, como energia, e emitem grandes quantidades de GEE. O crescimento anual de 3,5% da população também tem estimulado o aumento da urbanização, da poluição e da produção de resíduos. A matriz energética do país, focada em gás natural, pesa muito na balança de sustentabilidade.

O que podemos aprender: a matriz energética brasileira, com foco em hidroelétricas, nos coloca em situação mais favorável que o Catar. Podemos tirar lições sobre os meios de produção e consumo no país árabe, além dos impactos da urbanização, da poluição e da gestão de resíduos para a sobrecarga da Terra.

Estados Unidos

Dia da Sobrecarga da Terra: 14 de março →  consome 5 planetas por ano

Os Estados Unidos são o segundo maior emissor de GEE do mundo, responsáveis por quase 15% das emissões globais. Líder nesse ranking, a China atinge sua data de sobrecarga da Terra quase quatro meses depois dos americanos, em 7 de julho. Isso acontece, entre outros motivos, pelo modelo de produção e consumo nos Estados Unidos. O país é o maior produtor e consumidor mundial de petróleo bruto e de gás natural, recursos naturais não-renováveis. A gestão do ex-presidente Donald Trump também intensificou a pegada ecológica do país, promovendo, por exemplo, apoio à indústria do carvão e flexibilização de padrões de eficiência energética em produtos.

O que podemos aprender: O desenvolvimento de modelos de produção e de consumo mais sustentáveis é fundamental para que um país possa crescer economicamente buscando o equilíbrio e a preservação do meio ambiente. O governo também tem um papel importante no incentivo (ou não) da economia verde e de leis que estimulem tanto a indústria quanto o consumidor para um consumo consciente.

Alemanha

Dia da Sobrecarga da Terra: 5 de abril → consome 2,93 planetas por ano

A Alemanha conseguiu diminuir suas emissões em 35,7% desde 1990 e atualmente 40% do seu consumo de energia provém de fontes renováveis. Porém, apesar de diversas iniciativas ambientais e de ocupar o 6º lugar no índice global de sustentabilidade (Earth), seus  padrões de produção e consumo ainda geram alta pegada ecológica. O fornecimento de energia, o transporte e a agricultura industrial, com enormes necessidades de terras para a produção de carne e altas emissões de GEE, justificam a data da sobrecarga da Terra da Alemanha (Footprint Network).

O que podemos aprender: O exemplo alemão mostra que mesmo um plano ambicioso de desenvolvimento sustentável leva décadas para fazer efeito, o que reforça a urgência de o Brasil implementar mudanças estruturais desde já.

México

Dia da Sobrecarga da Terra: 11 de agosto → 1,65 planeta por ano

Com pegada ecológica semelhante ao Brasil, o México é outro país emergente que está melhor colocado que a média mundial, mas que tem espaço para melhorar sua contribuição global. Atividades como queima de combustíveis fósseis, agricultura e pecuária pesam para a posição atual mexicana. Ele é o país latino-americano com o maior déficit de biocapacidade (diferença entre a biocapacidade do país e a pegada ecológica per capita), que pode aumentar significativamente no curto prazo se forem mantidos os índices de crescimento populacional e os padrões de consumo atuais (SEMA). A falta de perspectivas em relação ao uso de energias renováveis e ao controle de emissões colocam o México em uma posição delicada no médio e longo prazo.

O que podemos aprender: País que vive crescimento populacional recente e desenvolvimento industrial tardio, semelhante ao Brasil, o México tem uma matriz energética pouco sustentável e uma agricultura e pecuária responsáveis por grandes emissões, como as brasileiras. A ausência de um plano de ação ambicioso para mudanças de padrões de produção e consumo deixa o México com poucas perspectivas positivas.

Indonésia

Dia da Sobrecarga da Terra: 18 de dezembro → 1,06 planeta por ano

A Indonésia é uma nação em desenvolvimento, como o Brasil, é o quarto país mais populoso do mundo (somos o 6º) e mesmo assim tem uma posição invejável (pelo menos para nós, brasileiros) no ranking da sobrecarga da Terra. A localização insular garante à Indonésia um alto nível de biocapacidade e de biodiversidade marinha, com a atividade econômica baseada na pesca e no turismo. Ainda que use parte de sua área de florestas para o cultivo agrícola, a preservação do meio ambiente e de ecossistemas locais, e os sistemas de produção e consumo com foco em sustentabilidade garantem à Indonésia a melhor situação entre os países do BRICS. Como alerta para o futuro, ficam os altos índices de crescimento populacional, que podem impactar na pegada ecológica do país.

O que podemos aprender: Tão populoso quanto o Brasil e também com uma rica biodiversidade, a Indonésia se destaca por ter meios de produção e consumo mais sustentáveis, com mais ênfase na pesca do que na pecuária e a agricultura, e com um desenvolvimento industrial que se esforça para aliar a preservação ambiental.

Clique aqui para mais dicas de consumo consciente para adiar o Dia da Sobrecarga da Terra.

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