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24.11.20 às 15:01

O desnecessário sai caro — até na Black Friday

Comprar um produto que você não precisa, ainda que com desconto, pode pesar no seu bolso, no meio ambiente e na sociedade

A publicidade é intensa e chega até a gente por canais cada vez mais diversos. Basta perguntar por aí, certamente há conhecidos seus pesquisando sobre as ofertas da Black Friday desde as últimas semanas. Isso não é mera intuição: segundo uma pesquisa do Google, 41% dos consumidores brasileiros já começaram a buscar o que comprar para aproveitar as promoções. E 54% afirmam pretender, sim, adquirir algo até o dia 27 de novembro, a data deste ano.

Encontrar bons preços quando você precisa comprar um produto é ótimo. Mas comprar um produto que você não precisa sai caro mesmo com desconto. Isso porque todo ato de consumo gera impacto para você próprio, para o meio ambiente e para a sociedade em geral. 

Adquirir algo desnecessário significa gastar dinheiro com o supérfluo, causando impacto negativo para o seu bolso. Este ano de 2020 tem nos mostrado a importância de economizar para ter condições de enfrentar imprevistos tão surpreendentes quanto uma pandemia e a crise dela derivada. Pense bem: se você deixar de comprar o que não precisa, poupa a quantia para um plano futuro ou para adquirir um produto que realmente vai precisar, com potencial de contribuir efetivamente para o seu bem-estar. 

A compra de algo que não é necessário — ainda que em promoção — também impacta negativamente o meio ambiente e a sociedade, pois o consumo de todo e qualquer item envolve produção, transporte, uso e descarte, etapas que exigem recursos naturais e esforços variados, além de emitir gás poluente. Caso você seja tentado a comprar um item que não precisa, reflita: que recursos naturais foram exigidos para sua produção e qual o impacto de sua extração e processamento? Em que condições de trabalho ele foi feita, incluindo o cuidado com os funcionários? Que distância ele percorreu, logo, que montante de gases poluentes foi emitido para ele chegar até você?

Para você ter uma ideia do impacto do ciclo de vida de alguns produtos, confira estes cálculos:

→ A compra, o uso e o descarte de 1 camiseta emite a mesma quantidade de CO2 que a produção do leite consumido diariamente por 1 pessoa por 42 dias

→ A compra, o uso e o descarte de 1 mesa emite quantidade de CO2 equivalente ao que é emitido na produção de arroz e feijão consumido diariamente por 1 família (4 pessoas) por 40 dias

Caso você note que precisa mesmo de um novo produto, tente optar por aqueles que geram menor impacto negativo ou algum impacto positivo. Veja estes exemplos:

→ Se você comprar uma bicicleta para substituir o carro ao percorrer distâncias curtas, após pedalar por 1 ano (média de 3,5km/dia) terá anulado as emissões referentes à fabricação da bike

→ Se você adquirir um kindle ou e-book equivalente, vai anular as emissões referentes à sua produção ao deixar de comprar 9 livros físicos

O exercício de pensar sobre esses pontos antes de adquirir algo novo é um hábito de consumo consciente. Um hábito que pode fazer parte da nossa rotina durante todo o ano, mas que merece ser reforçado e disseminado para familiares e amigos em datas como a Black Friday. 

Além da reflexão sobre a necessidade — ou não — de uma compra, recomendamos considerar outras sugestões para colocar o consumo consciente em prática no período de Black Friday:

A experiência mais do que o tangível

O consumismo da sociedade atual tende a privilegiar os bens materiais, mas há muito valor percebido no tempo dedicado a sensações, experiências, emoções e convivências — sobretudo em época de isolamento social. O que realmente deixa marcas fortes na sua memória? É o tempo compartilhado com família e amigos ou um produto que você adquire?

O compartilhado mais do que o individual

Ao suprir as necessidades de um grande número de pessoas, o compartilhamento do uso de produtos reduz ou até elimina o tempo em que eles ficariam ociosos, garantindo o uso máximo durante sua vida útil. Desta forma, evita-se a extração de recursos naturais para a produção de novos itens, eliminando-se os impactos negativos que viriam com ela. Lembre-se: o consumo colaborativo não tem excessos, é centrado no uso e não na compra.

O durável mais do que o descartável

Um produto com maior durabilidade pode até custar mais caro na hora da compra, mas ele retorna o investimento e representa uma economia a longo prazo, pelo simples fato de evitar a necessidade de se adquirir um (ou mais de um) novo produto. Quando você buscar um item mais durável, identifique se ele oferece a chance de ser reparado/consertado, recondicionado ou remodelado, outros fatores que evitam compras sucessivas. Isso beneficia o meio ambiente, pois reduz o consumo de recursos naturais para a fabricação de novos itens.

O virtual mais do que o material

É bom explicar: um produto virtual não é necessariamente imaterial porque o seu funcionamento demanda o uso de um servidor e um aparelho eletrônico que permite ser acessado. Mas certamente o virtual é uma alternativa em que a geração de resíduos é extremamente baixa quando comparado ao produto físico que ele substitui. E o incentivo ao desenvolvimento de novas tecnologias leva a um menor consumo de recursos naturais na cadeia produtiva e na manutenção de estruturas físicas, além de uma redução na demanda logística de transporte — seja de carga, seja de pessoas.

A produção local mais do que a global

Incentivar a produção local favorece o desenvolvimento econômico da região/bairro e reduz os impactos negativos gerados pelas emissões de gases poluentes da etapa de transporte de produtos. Comprar mais perto de casa também permite que você conheça melhor a origem, o modo de produção e os impactos causados pelo item que está levando pra casa. E quem não quer saber mais sobre o que escolhe consumir?

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