loader image
18.02.16 às 19:59

Jornalista defensor dos direitos humanos recebe avalanche de ameaças de morte

Mensagens de ódio contra diretor da ONG Repórter Brasil aumentaram após publicação de entrevista falsa em jornal mineiro
compartilhe
FacebookTwitterLinkedInWhatsAppEmailCopy Link

 

O Instituto Akatu solidariza-se com o jornalista Leonardo Sakamoto, diretor da ONG Repórter Brasil e conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão, que tem sido ameaçado de morte após a publicação no dia 30 de janeiro de uma falsa declaração no jornal mineiro Edição do Brasil.

O jornal estampou na capa o título “Cientista político diz que aposentados são ‘inúteis para a sociedade’”, com a foto do jornalista. Sakamoto negou ter concedido a entrevista publicada pelo jornal que, após ser questionado pelo jornalista, publicou uma nota de esclarecimento. Segundo o periódico Edição do Brasil, a entrevista foi recebida por e-mail, por intermédio da suposta assessora Luiza Amália. Na nota, o jornal afirma que “houve má fé por parte da pessoa que respondeu, com provável intenção de prejudicar tanto o jornal quanto Leonardo Sakamoto. O Edição do Brasil já está tomando medidas cabíveis para saber quem tentou prejudicar a imagem do nosso jornal.”

O Instituto Akatu repudia as mensagens de ódio destinadas ao jornalista e cobra que as autoridades punam os responsáveis pelas ameaças de morte e falsidade ideológica. A transição para uma sociedade mais justa que almejamos depende da livre divulgação de informações, de forma transparente e ética, por todos os atores sociais.

As ameaças de morte não são novidade para Sakamoto, que mantém um blog no portal UOL que aborda questões sociais. A ONG que dirige, Repórter Brasil, é dedicada a tornar públicas situações que ferem direitos trabalhistas e que causam danos socioambientais. No início de fevereiro, a Repórter Brasil e a inPacto publicaram, respaldados pela Lei de Acesso à Informação, a terceira edição da Lista de Transparência do Trabalho Escravo contemporâneo, com 340 empregadores autuados por uso de trabalho análogo ao de escravo entre dezembro de 2013 e dezembro de 2015. O Supremo Tribunal Federal mantém, desde dezembro de 2014, a decisão de bloquear o documento publicado semestralmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Veja também