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23.07.21 às 17:52

A relação entre produção e consumo de energia elétrica e emissões de gases poluentes

Nossos padrões de geração e consumo de energia elétrica emitem gases poluentes que agravam a crise climática. Entenda o porquê.

O acesso e o consumo de energia elétrica é essencial para a realização das atividades humanas mais cotidianas. Mas é importante ter em mente que todo tipo de produção de energia elétrica gera impacto para o meio ambiente, em maior ou menor escala. A geração de energia por fontes renováveis, tais como a hídrica, a eólica e a solar, são bem menos nocivas se comparadas às de fontes não-renováveis, como a termelétrica (que usa gás natural, biomassa, carvão mineral, entre outros) e a nuclear — mas não quer dizer que não gerem impactos negativos.

No Brasil, ainda que a principal fonte de energia seja renovável, as hidrelétricas, temos um considerável montante de emissões de gases de efeito estufa (GEE) provenientes do setor de energia. De acordo com o Observatório do Clima, em 2019, ele respondeu por 19% das emissões totais no Brasil, só atrás da agropecuária (28%) e de mudanças no uso da terra, como desmatamentos e queimadas (44%). Dentro do setor de energia, as maiores emissões de GEE são decorrentes do transporte (47%), do consumo energético industrial (14%), da produção de combustíveis (13%) e da geração de eletricidade (13%).

No cálculo de emissões do setor, entram os GEE emitidos na geração, no armazenamento e na distribuição da energia elétrica, seja ela oriunda de uma usina hidrelétrica ou termelétrica, por exemplo. 

Qual o panorama brasileiro em relação à geração de energia elétrica?

Privilegiado por sua hidrografia, o Brasil tem na fonte hidráulica sua principal matriz elétrica. Em 2019, as hidrelétricas foram responsáveis por 63,5% de toda a geração de energia do país. Entre as demais fontes, destacam-se o gás natural para geração termelétrica (9,6%), a energia eólica (8,9%) e a biomassa (8,3%). 

O anuário 2020 da Empresa de Pesquisa Energética destaca mudanças positivas no processo de produção de energia elétrica brasileira. Apesar de responder por somente 1,1% da nossa matriz, a geração de energia solar aumentou em 92,1% de 2018 para 2019. No mesmo período, o país reduziu em 23,8% a geração de energia a partir de resíduos do petróleo, como óleo diesel e óleo combustível, processo pouco sustentável, que gera muitos impactos negativos ao meio ambiente e à sociedade como um todo.

As perspectivas de 2021, no entanto, são de mudanças no gráfico de matrizes elétricas contrárias à sustentabilidade. Isso porque o Brasil enfrenta uma grave crise hídrica e, devido à baixa vazão nos reservatórios, o país tem aumentado o uso de usinas termelétricas (que utilizam gás natural) para evitar riscos de racionamento de energia elétrica e apagões. 

Como ocorrem as emissões de GEE na geração de energia elétrica?

Os impactos negativos ao meio ambiente decorrentes da geração de energia elétrica variam de acordo com cada matriz. Porém, há dois pontos de maior relevância: a construção de infraestrutura, que altera o ambiente colocando em risco rios, habitats e espécies da flora e da fauna, além de comunidades de pessoas, e a emissão de GEE no processo de produção, armazenamento e distribuição de energia. 

A queima de combustíveis fósseis para a geração de energia elétrica é o principal contribuinte para a emissão de GEE poluentes como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), entre outros, impactando a saúde pública e agravando a crise climática. Isso quer dizer que além de utilizar recursos naturais finitos, a energia produzida por meio da queima do petróleo, do carvão mineral ou do gás natural (termelétrica) e da fissão nuclear são menos sustentáveis por emitir grande quantidade de GEE.

Ao contrário do que pode parecer, as usinas hidrelétricas não são isentas de emissões. Estudos indicam que os reservatórios das hidrelétricas, sistemas aquáticos artificiais, são fontes emissoras de gases. Isso porque a decomposição da matéria orgânica inundada pelo reservatório (como vegetação, solos e algas nele produzidas) e fora dele (como sedimentos, matéria orgânica originada na bacia do rio) gera emissões de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4), dois potentes GEE. Além disso, as águas profundas dos reservatórios também são objeto de uma alta pressão hidrostática e, quando passam pelas turbinas da usina, a pressão cai abruptamente, liberando grande parte dos GEEs.

Qual a importância do consumo consciente de energia elétrica?

A energia elétrica gerada no Brasil é consumida prioritariamente pelo setor industrial (34,8%), seguido do residencial (29,6%) e do comercial (19,1%). 

Na indústria, é preciso de energia para uma ampla gama de finalidades, como processamento e montagem, vapor e cogeração, processo de aquecimento e resfriamento, iluminação, aquecimento e ar condicionado para edifícios. Muitas vezes, a fase de uso de um produto representa o maior consumo de energia do que na produção ou na extração e processamento dos materiais utilizados na sua fabricação. Esse é o caso de eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos, por exemplo, que fazem parte do dia a dia de grande parcela das pessoas.

É possível afirmar, portanto, que tudo aquilo que consumimos demanda energia durante seu ciclo de vida, da extração da matéria-prima, passando pela produção e pela distribuição até a fase de uso, gerando, consequentemente, emissões de GEE. Por essa razão é sempre importante buscar as melhores maneiras de utilizar um item, estendendo a sua vida útil, evitando compras desnecessárias e poupando todos os recursos necessários (energia elétrica inclusive) para a produção de um novo produto. Esse é um hábito de consumo consciente.

E, uma vez que o consumo residencial é responsável por quase 30% de toda a energia elétrica gerada, o consumidor também tem o seu papel dentro de casa. O consumo consciente de energia, evitando desperdícios por meio de atitudes simples no dia a dia, é bom para o bolso, pois evita sustos na conta de luz, e faz bem para o meio ambiente, uma vez que economiza este valioso recurso. 

Confira aqui hábitos de consumo consciente de energia elétrica.

Qual o panorama mundial em relação ao ODS 7 – Energia Limpa e Renovável?

De forma geral, o mundo está distante de atingir as metas globais de energia estabelecidas para 2030, como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, de acordo com o Banco Mundial. Vamos ver alguns avanços e desafios em relação à energias renováveis e acesso à energia: 

Acesso à energia:

→ 13% da população mundial (1 bilhão de pessoas) ainda vive sem eletricidade, sendo 87% desse total em áreas rurais

→ O número de pessoas com acesso à eletricidade vem subindo desde 2010, mas ainda corremos o risco de ter 674 milhões de pessoas sem eletricidade em 2030

Energias renováveis

→ A partir de 2015, o mundo obteve 17,5% de seu consumo total de energia final a partir de fontes renováveis, como hidrelétrica, solar, eólica e  geotérmica. Com base nas políticas atuais, a participação das energias renováveis deve atingir apenas 21% até 2030.

→ A parcela de energias renováveis nos transportes, apesar de configurar um rápido aumento, ainda corresponde a apenas 2,8% (2015). 

→ Desde 2010, o progresso da China em energia renovável foi responsável, sozinho, por quase 30% do crescimento absoluto no consumo de energia renovável globalmente em 2015. O Brasil foi o único país entre os 20 maiores consumidores de energia a exceder substancialmente a participação média global renovável em todos os usos finais: electricidade, transportes e aquecimento. 

Para saber mais sobre consumo consciente de energia elétrica, clique aqui!

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