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28.12.10 às 7:43

Ter dinheiro não é o suficiente para escapar da falta de água

Relatório do WWF mostra que escassez do recurso afeta países ricos. O uso consciente da água é a melhor alternativa
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O relatório “Países ricos, pobre água” mostra a crise de abastecimento de água como um problema global, que afeta inclusive os países ricos. O estudo, lançado na semana passada pela Rede WWF, contraria a crença de que os problemas da escassez do recurso natural atinjam somente os países pobres. Japão, EUA, Austrália, Espanha e algumas áreas do Reino Unido já começam a sentir os efeitos combinados das mudanças climáticas, infra-estrutura inadequada e desperdício de recursos hídricos.

O lançamento do estudo antecedeu a Semana Mundial da Água, em Estocolmo, que ocorreu entre 20 a 26 de agosto, e reforça a necessidade do consumo consciente da água. No mundo, apenas cerca de 0,3% da água doce do mundo é potável e sua distribuição é bastante irregular. Por isso, é necessário evitar o mau gerenciamento ou o desperdício para que todos possam usufruir deste recurso por muito tempo.

O estudo é focado nos problemas em grande escala, que necessitam de investimentos públicos e políticas de governos. Mas a economia de água pode ser realizada dentro de casa, por cada indivíduo. Vejamos um exemplo de como uma pequena atitude diária, repetida ao longo do tempo pode fazer muita diferença. Se uma pessoa, todos os dias de sua vida, fechar a torneira ao escovar os dentes, ao final de 70 anos terá economizado água suficiente para abastecer por um dia as necessidades de 6.000 pessoas. Veja outras dicas de como evitar o desperdício de água aqui.

O relatório dá um exemplo que ilustra a desigualdade do acesso ao líquido no mundo: enquanto nos EUA e na União Européia o consumo diário de água é de 350 e 200 litros per capita, respectivamente, na África Subsaariana, esse número cai para 10 a 20 litros por habitante/dia. Apesar da distância entre os países, todo o planeta pode ser afetado pela escassez, pois da água depende não só a saúde das pessoas, mas também o clima, a atmosfera, o regime de chuvas e, conseqüentemente, a agricultura e a produção de alimentos. Por isso, todos precisam economizar água diariamente.

Crise nos países desenvolvidos

Segundo o estudo, na Europa, os países banhados pelo Atlântico estão passando por secas recorrentes. Países do Mediterrâneo também estão com os recursos hídricos a perigo, devido à exploração exagerada da água. A Austrália, país mais seco do mundo, também está em vias de se tornar mais seco do que o costumeiro. O Japão, apesar de apresentar um regime de chuvas intenso, lida com a contaminação dos mananciais em várias áreas, tanto que o país já se preocupa em instituir planos de gerenciamento dos recursos hídricos locais.

Nos EUA, muitas áreas já estão utilizando mais água do que pode ser naturalmente reposto. Conforme o relatório, a Califórnia, um dos mais populosos Estados do país, já perdeu 90% de suas áreas úmidas. Em todo o país, a estimativa é de que 50% das áreas úmidas tenham se perdido por conta do desenvolvimento industrial e urbano.

O relatório aponta ainda cidades de primeiro mundo que, por motivos diversos, estão fadadas a sofrer a perda de água. Nessa lista, que inclui Tóquio e Sydney, Londres também é citada, porque, além do consumo acima da capacidade de renovação, os sistemas de encanamento da cidade são muito antigos e geram perdas e vazamentos de cerca de 300 piscinas olímpicas por dia.

Para ver o relatório na íntegra, acesse o link da página da WWF.

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